A desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, que já ocupou a presidência do Tribunal de Justiça da Bahia, continua a receber um salário generoso mesmo afastada do cargo desde 2019, após ser condenada por envolvimento em um esquema de venda de decisões judiciais. A informação foi divulgada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta quinta-feira (22), que confirmou a prorrogação do afastamento até fevereiro de 2026.
Segundo dados do Portal da Transparência do TJ-BA, Maria do Socorro recebeu, apenas em abril deste ano, um pagamento que ultrapassou os R$ 129 mil, incluindo uma indenização significativa por férias não tiradas. A desembargadora, que pode enfrentar a perda de seu cargo, aguarda o resultado de recursos em instâncias superiores.
O esquema investigado na Operação Faroeste, que envolve a legalização de terras griladas no oeste baiano, resultou não apenas na condenação de Maria do Socorro, mas também do juiz aposentado Sérgio Humberto de Quadros Sampaio. Ambos foram sentenciados a longas penas de prisão em regime fechado, com a desembargadora recebendo 14 anos e 11 meses e o juiz 15 anos e 8 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Entre os outros condenados estão empresários e advogados envolvidos no esquema, que movimentava cerca de R$ 1 bilhão e prejudicava a legalidade das propriedades na região, onde o agronegócio é forte. Curiosamente, três réus, incluindo a filha de Maria do Socorro, foram absolvidos por falta de provas.
As defesas dos condenados já anunciaram a intenção de recorrer da decisão. A defesa de Maria do Socorro expressou perplexidade com a condenação, ressaltando a fragilidade das provas apresentadas. Já a defesa de Sérgio Humberto afirmou que ele agiu de forma honrada e que as decisões tomadas foram sempre legais, defendendo que a paralisação de processos no estado é um problema histórico.
A Operação Faroeste, que desde 2019 investiga esse esquema de corrupção, expõe uma grave crise no Judiciário da Bahia, levantando questões sobre a integridade das decisões judiciais e o impacto dessas práticas na sociedade. O caso segue a ser acompanhado de perto, uma vez que a repercussão é significativa para a confiança da população nas instituições.
Crédito da imagem: Desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago


