sexta-feira, 23/10/2026

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Membros da Torcida Organizada do Bahia se reúnem para discutir formas de silenciar denúncias de tortura

Uma situação alarmante envolvendo a Bamor, a maior torcida organizada do Bahia, veio à tona após investigações do Ministério Público da Bahia (MP-BA) revelarem diálogos que sugerem uma tentativa de intimidar vítimas de tortura.…

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Uma situação alarmante envolvendo a Bamor, a maior torcida organizada do Bahia, veio à tona após investigações do Ministério Público da Bahia (MP-BA) revelarem diálogos que sugerem uma tentativa de intimidar vítimas de tortura. Os membros da torcida discutiram formas de silenciar duas pessoas que relataram terem sofrido graves agressões durante um encontro na sede da torcida, localizada no bairro de Nazaré, em Salvador.

Segundo um relatório obtido pelo g1 e pela TV Bahia, as conversas ocorreram em julho, logo após as vítimas denunciarem as agressões. Matheus Pires Castro, presidente da torcida, foi flagrado sugerindo que os integrantes fossem até a casa de uma das vítimas para ameaçá-la e impedir que ela falasse sobre as torturas que havia sofrido.

As investigações apontam que, nos dias 17 e 18 de julho, as vítimas foram brutalmente agredidas sob o pretexto de esclarecer supostas irregularidades financeiras. A tortura durou cerca de quatro horas em cada episódio. Após um dos homens começar a compartilhar informações sobre os abusos, integrantes da Bamor, incluindo o vice-presidente Luciano da Silva Venâncio, se mobilizaram para impedir que a situação ganhasse repercussão.

Em mensagens de áudio, Castro e outros membros discutiram a possibilidade de aplicar novas agressões caso as vítimas insistissem em denunciar os crimes. O presidente chegou a afirmar em um áudio que, se a vítima não aprendesse a lição, a próxima sessão de tortura duraria oito horas. Tais declarações foram registradas durante a Operação Inquisição, que resultou na prisão de dez pessoas, incluindo os líderes da torcida.

Os diálogos também revelaram uma preocupação com a possibilidade de as vítimas procurarem a imprensa. Um dos integrantes chegou a sugerir apagar mensagens de um grupo do WhatsApp para evitar que as conversas fossem usadas como prova. “Melhor apagar tudo essas por aí”, afirmou, demonstrando receio em relação à repercussão dos atos violentos.

Em 2 de outubro, o MP-BA denunciou os dez envolvidos por crimes como tortura, organização criminosa e extorsão. A promotora de Justiça Thelma Leal destacou que, apesar das diferenças nos graus de participação, todos os acusados, incluindo membros da cúpula da Bamor, participaram ativamente das agressões. A expectativa é que a situação leve a uma mudança de liderança na torcida e a implementações de medidas que evitem novos episódios de violência.