Uma série de mensagens perturbadoras reveladas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) lança luz sobre práticas violentas dentro da Bamor, a maior torcida organizada do Bahia. A investigação, que culminou na prisão de dez membros, incluindo o presidente Matheus Pires Castro, aponta para sessões de tortura realizadas na sede da torcida, localizada no bairro de Nazaré, em Salvador.
Os diálogos, encontrados em celulares apreendidos durante a Operação Inquisição, mostram um clima de desespero entre os integrantes da torcida. Um dos membros sugeriu a exclusão de mensagens de um grupo de WhatsApp para evitar que as provas fossem usadas contra eles, revelando uma preocupação com a possível delação de uma das vítimas, que havia sido convocada sob o pretexto de esclarecer irregularidades financeiras.
Durante os dias 17 e 18 de julho, duas pessoas foram submetidas a torturas físicas e psicológicas que duraram cerca de quatro horas cada. Os relatos indicam que as agressões foram discutidas abertamente entre os diretores, com um deles se vangloriando de ter quebrado o braço de uma das vítimas. “Só me arrependi de não bater mais”, afirmou em uma mensagem, evidenciando a brutalidade que permeava as interações dentro da organização.
Além disso, o presidente Matheus Pires Castro foi flagrado orientando os membros a não identificarem os responsáveis pelas agressões, sugerindo que as punições deveriam ser atribuídas à “diretoria”, sem individualização. Em mensagens de áudio, ele minimizou o medo de consequências legais e fez ameaças de que futuras punições poderiam ser ainda mais severas, incluindo a possibilidade de mutilação.
Os diálogos também revelaram um ambiente de camaradagem entre os membros da Bamor, que discutiam a forma como as torturas seriam realizadas. Em um áudio, Matheus disse que quem tivesse “nojo de sangue” não deveria comparecer ao local, enquanto incentivava os demais a participar das sessões de violência. “Tem que se foder e apanhar mesmo para servir de exemplo”, afirmou, desconsiderando a gravidade das ações que estavam sendo planejadas.
Com a denúncia formalizada em 2 de outubro, o MP-BA destacou que todos os detidos participaram das torturas em graus variados. A promotora Thelma Leal enfatizou a necessidade de mudanças na liderança da Bamor para evitar que episódios de violência como esses se repitam no futuro. A comunidade do futebol da Bahia e os torcedores do clube estão em estado de choque diante das revelações, que mancham a imagem da torcida e levantam questões sérias sobre segurança e ética no esporte.


