A Câmara Municipal de Salvador acatou uma decisão judicial que suspendeu a entrega do Título de Cidadão de Salvador ao senador Flávio Bolsonaro, marcada para o próximo sábado (17) no icônico Farol da Barra. A juíza Carla Graziela Costantino de Araújo, da 5ª Vara da Fazenda Pública, determinou a suspensão da cerimônia, argumentando que a data e o local poderiam comprometer a imparcialidade do Legislativo em um momento tão delicado, como o período eleitoral.
A decisão judicial, proferida nesta sexta-feira (16), também incluiu a proibição de transferência temporária da sede da Câmara para o ponto turístico. Caso a ordem não fosse cumprida, a Câmara estaria sujeita a uma multa de R$ 500 mil. O presidente da Casa, Carlos Muniz, do PSDB, reafirmou a importância de seguir a decisão da Justiça: “decisão judicial é para ser cumprida”.
A ação popular que levou à suspensão foi proposta pela aposentada Maria Lúcia Andrade da Silva, que questionou não apenas a entrega do título, mas também o custo elevado da operação, que exigiria uma estrutura excepcional de servidores e segurança. A juíza sustentou que a realização da solenidade poderia dar um caráter promocional ao evento, favorecendo a imagem de um candidato no meio da campanha presidencial.
Em sua defesa, a Câmara Municipal informou que o título concedido a Flávio Bolsonaro permanece válido, mas a entrega ficará para um momento posterior. O Título de Cidadão foi aprovado em maio deste ano, através da Resolução nº 3.592/2026.
Flávio Bolsonaro, que obteve 391.188 votos em Salvador, foi o segundo mais votado na capital, atrás apenas do presidente Lula, que recebeu 944.358 votos. No entanto, o senador conseguiu aumentar a votação em relação ao desempenho de seu pai, Jair Bolsonaro, nas eleições passadas, conquistando 28,53% dos votos válidos na Bahia, em comparação a 24,31% obtidos por Jair no primeiro turno de 2022.
Nos bastidores, a situação gera debates sobre a influência do bolsonarismo na Bahia, especialmente em cidades onde Flávio obteve um desempenho positivo, como Luís Eduardo Magalhães e Itamaraju. Para muitos analistas, a proximidade cultural e geográfica entre essas localidades e outras regiões do Brasil pode ter contribuído para esse fortalecimento.
Crédito da imagem: REUTERS/Adriano Machado


