domingo, 18/10/2026

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Baiana superou câncer de mama e agora ajuda mulheres a cuidarem da saúde íntima

A fisioterapeuta baiana Patrícia Lordêlo, de 49 anos, está à frente de uma pesquisa inovadora que busca melhorar a saúde íntima de mulheres que enfrentam o câncer de mama. Após sua própria experiência dolorosa…

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A fisioterapeuta baiana Patrícia Lordêlo, de 49 anos, está à frente de uma pesquisa inovadora que busca melhorar a saúde íntima de mulheres que enfrentam o câncer de mama. Após sua própria experiência dolorosa com o tratamento, Patrícia decidiu investigar os impactos da quimioterapia na saúde genital feminina, um tema que, segundo ela, ainda é pouco discutido. A pesquisa utiliza tecnologia de LED azul para aliviar sintomas causados pela quimioterapia.

Patrícia começou sua jornada acadêmica nessa área antes de ser diagnosticada com câncer de mama em outubro de 2024. Durante seu tratamento, ela sentiu na pele as consequências das sessões de quimioterapia, que não apenas afetaram seu corpo, mas também trouxeram desconfortos na região genital. “Nos primeiros cinco dias após a quimioterapia, eu me sentia extremamente debilitada e sair de casa para receber tratamento se tornou um desafio”, contou em entrevista. Com isso, ela desenvolveu um equipamento que pode ser utilizado em casa, permitindo que as pacientes tenham acesso ao tratamento sem a necessidade de deslocamentos frequentes.

O projeto recebeu apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em agosto de 2026 e pretende comparar os resultados do uso domiciliar com o tratamento realizado em ambulatório. Além disso, a trajetória de Patrícia culminou na publicação do livro “Inteira: Uma história real de corpo, intimidade, ciência, espiritualidade e reconstrução”, que será lançado no dia 18 de outubro, durante o Outubro Rosa. A obra, que conta com um prefácio da atriz Regina Casé, visa aumentar a conscientização sobre a saúde íntima durante e após o tratamento do câncer.

Desde 2019, a pesquisa investiga o uso do LED azul intravaginal como uma alternativa não hormonal para tratar disfunções pélvicas, que incluem problemas como ressecamento vaginal e dor durante relações sexuais. O equipamento desenvolvido pela equipe de Patrícia já é utilizado em atendimentos especializados no Instituto Patrícia Lordêlo, que atende pacientes pelo SUS. “Com os resultados positivos que obtivemos até agora, especialmente em relação à lubrificação e função sexual, estamos otimistas com o potencial impacto deste novo equipamento”, afirmou a pesquisadora.

A experiência de Patrícia como paciente a motivou a ir além da pesquisa científica, levando-a a escrever sobre sua vivência e a falta de informações sobre saúde íntima disponíveis para as mulheres durante o tratamento do câncer. Ela destaca a importância de discutir esses temas para melhorar a qualidade de vida das pacientes e promover um acolhimento mais humanizado. “Acredito que é fundamental que as mulheres se sintam amparadas e informadas sobre os impactos do tratamento em sua saúde íntima”, concluiu.