A empresária de Santo Antônio de Jesus, Day Souza, tornou-se o centro de uma controvérsia ao compartilhar um vídeo nas redes sociais que foi considerado LGBTfóbico. A situação levou a Defensoria Pública do Estado da Bahia a ingressar com uma ação civil pública contra ela, após uma denúncia de um coletivo LGBTQIAPN+ local.
No vídeo, Day narra uma conversa com sua filha sobre o que significa ser LGBT. Em sua explicação, ela afirma que esse tema não pode ser visto como normal, sustentando sua visão com referências bíblicas. “A Bíblia diz que Deus criou Adão e Eva. Deus criou o homem e a mulher”, disse, enfatizando que, segundo suas crenças, sua filha deverá encontrar um “príncipe” para se casar no futuro.
Além disso, a empresária mencionou que a conversa ocorreu na presença de uma prima da criança, que já conhecia o significado do termo e, segundo Day, influenciou o questionamento. Em sua defesa, ela alegou ter orientado a filha a buscar sempre ajuda quando surgirem dúvidas sobre esses assuntos.
A Defensoria Pública, por sua vez, destacou que o foco da ação não é discutir liberdade religiosa, mas sim combater discursos que inferiorizam grupos sociais. Daniel Bernardes, defensor público responsável pelo caso, afirmou que a instituição condena discursos de ódio e que este tipo de manifestação não é protegido pela Constituição. “Isso não é algo que se deseje que seja empregado na orientação dos filhos”, afirmou.
Antes de tomar a decisão de ir à Justiça, a Defensoria havia feito uma recomendação para que a empresária retirasse o vídeo do ar e gravasse uma retratação. Embora Day tenha removido a publicação e enviado uma nota escrita, não gravou o vídeo solicitado. A ação pede uma indenização de R$ 30 mil por danos morais coletivos, mas o principal objetivo é a retratação, que é vista como uma importante medida educativa.
Essa situação ocorre em um contexto mais amplo, onde a luta contra a LGBTfobia tem se tornado cada vez mais urgente. Somente em Salvador, mais de 400 casos desse tipo foram registrados nos últimos dois anos, evidenciando a necessidade de diálogo e conscientização sobre diversidade e respeito.
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