Um clima de inquietação se instalou em Salvador após a drástica redução da frota de ônibus durante o segundo turno das eleições, que ocorreu no último domingo (25). Vereadores da cidade se mobilizaram e solicitaram, nesta terça-feira (27), a abertura de uma investigação na Câmara Municipal para apurar as razões por trás dessa diminuição no transporte público, que afetou a mobilidade de muitos cidadãos no dia da votação.
A proposta de investigação foi apresentada ao presidente da Câmara, Carlos Muniz (PSDB), em uma reunião fechada. O movimento é apoiado pela oposição, que já conta com 10 das 14 assinaturas necessárias para a formação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). Muniz destacou a importância de investigar a situação, especialmente em meio a uma apuração que já está sendo realizada pela Polícia Federal.
Um relatório obtido pela TV Bahia revelou falhas significativas nas garagens das empresas de ônibus. Durante uma vistoria, as autoridades constataram que a frota em operação era consideravelmente menor do que a habitual. Na sede do BRT, um supervisor confirmou que a quantidade de ônibus em circulação estava abaixo do padrão semanal. Situações semelhantes foram encontradas nas garagens da Integra Verde G2 e da Ottrans G1, onde muitos coletivos estavam parados.
O secretário de Mobilidade da cidade, Pablo Souza, se defendeu, alegando que a estratégia de transporte adotada durante o segundo turno foi a mesma utilizada no primeiro, e que não houve determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que 100% da frota estivesse disponível. Segundo ele, a prefeitura já segue essa prática há mais de uma década.
Entretanto, a legislação do TSE estabelece que o transporte público deve ser ampliado nos dias de votação para garantir acesso aos eleitores. O secretário mencionou que a frota de ônibus de Salvador conta com 1.700 veículos, e que, em ambos os turnos, 850 estavam nas ruas, o que representa 50% da frota. Ele também confirmou que a operação do segundo turno foi similar a de um domingo comum, com redução habitual de veículos.
A situação se complicou ainda mais quando foi revelado que adesivos de propaganda eleitoral foram colados em ônibus que estavam parados nas garagens, o que levou à decisão de impedir a saída de pelo menos 75 coletivos. A prefeitura reconheceu a situação e garantiu que a operação foi normalizada ao longo do dia, mas não sem antes causar transtornos aos moradores, que se mobilizaram para oferecer caronas solidárias.
O secretário estava em uma missão oficial em Paris no dia das eleições, mas alegou que manteve contato com sua equipe para garantir que a operação funcionasse. Contudo, a situação resultou em um pedido de prisão em flagrante contra ele pelo TSE, que foi revogado na segunda-feira (26), após a votação ter sido encerrada.
A investigação sobre os eventos do dia da eleição segue em andamento, com a Polícia Federal tomando a dianteira na apuração, e a prefeitura já se comprometeu a fornecer toda a documentação necessária. A população aguarda respostas e medidas que evitem que situações como essa se repitam em futuras eleições.


