Um clima de revolta e indignação toma conta dos torcedores do Bahia após a divulgação de gravações que revelam atos de tortura na sede da Bamor, a maior torcida organizada do clube. O presidente Matheus Pires Castro e nove outros integrantes do grupo foram presos no dia 28 de setembro, acusados de crimes graves como tortura, extorsão e organização criminosa.
Os áudios, obtidos por veículos de mídia locais, mostram Castro convocando membros da torcida para sessões de agressão física e psicológica que teriam ocorrido em julho. Em uma das gravações, ele sugere o uso de alicates para arrancar unhas de uma das vítimas, deixando claro que não havia espaço para aqueles que tivessem “nojo de sangue”.
As investigações do Ministério Público da Bahia (MP-BA) revelam que as torturas duraram horas e envolveram pelo menos duas vítimas, ambos antigos membros da torcida. Um deles, que havia sido líder de arquibancada por 18 anos, foi intimado a comparecer à sede sob a acusação de irregularidades financeiras. O outro, prestador de serviços de tecnologia, também foi torturado após sugerir que o caso fosse levado às autoridades.
Durante as sessões de tortura, as vítimas foram submetidas a espancamentos, sufocamentos e até simulações de afogamento. Os investigadores encontraram na sede da Bamor objetos como martelos e alicates, que foram reconhecidos pelas vítimas como instrumentos das agressões.
A promotora de Justiça Thelma Leal, responsável pelo caso, confirmou que todos os presos participaram ativamente das torturas e expressou esperança de que essa situação leve a uma mudança na liderança da torcida, visando prevenir futuros episódios de violência.
Em entrevista à TV Bahia, uma das vítimas relatou que compareceu à sede da Bamor com a intenção de esclarecer sua situação, sem imaginar que seria torturado. Durante as agressões, ele afirmou que os acusados exigiram a senha de sua conta bancária e transferiram cerca de R$ 5,8 mil para a associação.
Por sua vez, a Bamor se pronunciou em nota, afirmando que respeita o trabalho das autoridades e que eventuais responsabilidades devem ser apuradas de forma individual. O MP-BA, no entanto, ressaltou que as investigações estão focadas nas pessoas envolvidas e não na associação como um todo.
Com a prisão da cúpula da torcida organizada, a expectativa é que a Bamor passe por uma reestruturação e que a comunidade de torcedores do Bahia se una contra a violência e a impunidade dentro do esporte.


